A Experiência Literária/Solitária

A Experiência Literária/Solitária

Escrever sempre foi importante para mim. Sempre foi uma forma de registrar minhas ideias, mas por que isso era tão necessário? Por que um Homero ainda criança sentia vontade de registrar algo? Por que essa vontade nunca acabou? Por quê?

Sempre me perguntei essas coisas, mas também me perguntava por que o céu é azul, por que as pessoas agiam como agiam, ou por que algumas pessoas acreditavam em um Deus e eu não… Havia uma pergunta para cada segundo da minha vida. Minha curiosidade, porém, estava ligada com uma criatividade constante que queria responder minhas próprias perguntas.

Comecei a ler muito cedo e os livros conseguiam fazer algo fascinante; responder até mesmo as perguntas que nunca fiz. Me tornei um leitor ávido ainda na infância e o hábito me acompanhou pela vida. Era como uma nova amizade a cada livro. Ao fim, porém, havia saudades dos amigos temporários e uma série de novas memórias guardadas.

No entanto, ler não bastava. Da mesma forma que sentia amizade e amor por personagens dos livros, também sentia uma necessidade ímpar de trazer para o mundo real as experiências que vivia em minha cabeça. Esse universo imaginário nunca foi suficiente para mim. Foi por causa das histórias que viviam em minha cabeça que comecei a desenhar, depois me interessei por cinema, por jogos e passei anos da minha vida buscando novas camadas para explorar a minha criatividade.

Mas quanto mais técnicas eu aprendia, quanto mais complexos e coletivos ficavam os processos, mais vazio me sentia. Demorei para entender a complicada matemática entre meus olhos e minha essência. Apesar se ser uma criatura visual, sou apaixonado por conceitos e pela narrativa, sem isso não saberia viver.

Escrever, portanto, tornou-se meu principal foco na vida, o que é difícil. Escrever é uma experiência bastante solitária e minha vida parecia roubar minha atenção e meu tempo de todas as formas possíveis. Eu buscava imersão, mas falhava. Em meu trabalho, liderava equipes que desenvolviam projetos complexos, eu perseguia imagens em minha mente e conseguia trazê-las para fora rapidamente. O visual era automático, mas o literário me custava!

De repente, compreendi que palavras não são ferramentas, são sentimentos. Em O Sexto Estágio, só conclui cada capítulo após me sentir destruído por ele. Empatia é o exercício. Eu precisava me colocar no lugar de cada personagem e sentir a história, não apenas observar à distância.

Esse processo, no entanto, me afastou do mundo, me afastou de mim mesmo. Houve um momento de dissociação da minha personalidade e acredito que isso é perceptível em alguns momentos do livro. Com o passar do tempo, entendi como dominar essa entrega e a solidão passou a ser um grande aliado. Assim como o leitor, o autor nunca está sozinho. Basta ouvir, e não impor, a voz de cada personagem.

Comentários

HOMERO MEYER

Autor de textos inacabados, pensamentos acelerados e discursos exagerados que tendem a existir entre a realidade e a mais profunda utopia.

Tudo nessa frase representa Homero Meyer, porém, depois de colocar o ponto-final em seu primeiro romance e lançá-lo ao mundo, ele aprendeu o valor de concluir e dividir seus pensamentos. Trocar experiências através de palavras, como forma de construir novas emoções, fez com que o antigo hobby solitário se tornasse o seu maior objetivo de vida.

HOMERO MEYER

Autor de textos inacabados, pensamentos acelerados e discursos exagerados que tendem a existir entre a realidade e a mais profunda utopia.

Tudo nessa frase representa Homero Meyer, porém, depois de colocar o ponto-final em seu primeiro romance e lançá-lo ao mundo, ele aprendeu o valor de concluir e dividir seus pensamentos. Trocar experiências através de palavras, como forma de construir novas emoções, fez com que o antigo hobby solitário se tornasse o seu maior objetivo de vida.

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